Pedofilia X Estupro X Incesto

Estou  pensando aqui nos noticiários de “Caça aos pedófilos” e resolvi falar sobre um assunto que me incomoda e preocupa muito. Não observem a gramática ou coisas assim, vai direto, sem revisão ok? Beijos.

Muitas vezes temos o problema dentro de nossas famílias que costumam esconder o fato.

Quando eu tinha 4 ou 5 anos fui estuprada por um tio, irmão do meu pai. Minha mãe trabalhava o dia todo, e estudava a noite. Muitas vezes este tio é que ficava “cuidando” da gente. Ele era a pessoa mais “boazinha” do mundo, de confiança mesmo.

Sempre fui muito esperta e todos falam que era muito bonitinha... loirinha, fofa, alegre, cabelinhos cacheados.  Não lembro detalhes porque era muito pequena e também deletei da minha mente o que pôde ser deletado.

Mas nunca esqueci o dia em que ele me puxou, tirou minha roupa e me estuprou, pior, ainda colocou o pênis dele na minha boca.... Ele falou que se eu contasse pra alguém iria matar meus pais e  meus irmãos. Acho que contei pra minha mãe mas ela achou que era invenção da minha cabeça pois eu era muito inteligente. Ou preferiu talvez achar que criança esquece tudo.

Bom, inventei um mundinho “cor-de-rosa” e sobrevivi sozinha. Mas me tornei irritadiça, desconfiada, neurótica. Não deixava minha irmã caçula ir no colo de ninguém. Cresci com tantas dúvidas, dentre elas se era virgem, pois na década de 80 isto ainda era importante, mas depois descobri que a “tão propagada virgindade” estava não num hímem, mas no meu comportamento, no meu sentir...

Segui minha infância normalmente, no interior, brincando na rua, subindo em árvores, acreditando em Papai Noel. Mas nunca mais gostei de pessoas boazinhas demais. Gostava de pessoas que perdiam o controle de vez em quando.

Este estupro/incesto afetou muito a minha personalidade, não conseguia ter meio termo. Ou amava ou odiava. Deixava isto muito claro, o que causou muitos conflitos entre eu e minha mãe que não gostava do meu comportamento. Achava que eu não devia “abraçar e beijar um e pular o outro”. Mas eu tentava explicar que só beijava e abraçava quem eu gostava...rssss. Coisas de Nádia sagitariana...

Nunca deixei minhas filhas irem no colo de nenhum homem, só do meu pai e do meu  irmão, isto porque nunca percebi nenhuma atitude ou gestos suspeitos e nem dormir na casa de amiguinhas. Oras, como poderia se quando criança não podia dormir na casa de alguma amiga da minha mãe qdo ela precisava ficar fora. Sempre acordava no meio da noite com os maridos delas em cima de mim, no escuro... Cresci com u olho no peixe e outro no gato. Neurótica mesmo. Defeito? Nem sei mas adooooro ser neurótica quando o assunto é esse.

Vocês nem imagina o que eu sentia quando meu pai falava desse tio com tanto amor, falando que ele era tão bom, que era um sonhado... Pensava: “O paizinho, como vc é tolo e bom...” Ficava até comovida. Meu pai era uma pessoa muito simples, de  fazenda, humilde, brincalhão. Eu era louca alucinada por ele. Nunca quis falar nada pra não deixá-lo triste, ainda mais que eu era a filha que ele amava e defendia tanto... Acho que ele mataria meu tio, ou sei lá o que...

Sabe quando uma pessoa odeia a outra e deseja todo o mal do mundo pra essa pessoa? Foi assim com o meu tio... Um dia, ele veio do sítio dele em Rondônia e adivinha quem é que teve que levá-lo ao médico e acompanhá-lo em exames e tudo o mais? Eu. Nesses momentos pensava comigo mesma: “E Deus, que peça é esta que você está me pregando?” Resolvi olhar atentamente praquele “pobre diabo” e descobri que não sentia mais ódio dele, sentia pena. Nesse dia percebi que meu coração estava mais tranqüilo, e que conseguiria não só amar ou odiar. Aprendi a tolerar e foi uma boa sensação. Fiquei mais leve.

Continuo não gostando dele, mas mora longe, que fique por lá....

Passei anos sem tocar nesse assunto pra que meu pai nunca soubesse. Ele era muito doente e meu amor por ele era maior que qualquer coisa. Mas depois que ele se foi, um dia contei pro meu irmão e pra minha tia, irmã dele. Ficaram chocados e conseguiram  entender tantas facetas do meu jeitão de ser. Perderam o respeito pelo meu tio... Não fiquei feliz, mas aliviada. Tirei um peso que carreguei por quase 40 anos.

Continuo neurótica e desconfiada. Não gosto de ver tios muito íntimos e pegajosos com seus sobrinhos crianças. Até mesmo alguns pais que ficam dando beijinhos, se esfregando nas filhas e nos filhos também. Já me chamaram de doente..rsss mas prefiro ser assim, pois adoeceria mais ainda se acontecesse algo com meus filhos, sobrinhos que são mais próximos a mim.

Vou contar uma coisa. Um estupro marca por toda uma vida. Me atrapalhou a crescer, não gostar muito de "pessoas grandes", sérias demais, enfim... Tem que ter muito “menininha interior” pra se tornar uma pessoa leve e com coração aberto. É por isso que amo tanto a minha menininha interior, pois foi com os óculos de lentes cor-de-rosa choque que sobrevivi a um estupro/incesto.

Preservá-la e mimá-la não me torna um ser infantil e irresponsável, mas ela me permitiu ter hoje fundo musical, riso aberto e coração grandão....

Espero que ao ler isto, você que tem filhos ou crianças próximas, preste atenção nas pessoas “boazinhas” que os cercam. Pode ser que muitos têm o problema dentro de casa e não sabem. Não estou aqui generalizando, mas alertando.

Se seus filhos fizerem qualquer tipo de comentário sobre este assunto, por menor que seja, dê atenção e, principalmente, acredite nela. Não precisa falar isto na frente delas para que não inventem fatos, pois as crianças estão muito atentas e sabem muitas coisas.

Bom, era isso. E este blog foi feito pra homenagear minha “menininha interior” que é meu grande presente de Deus e que me permitiu descobrir ainda cedo que ser feliz é tão mais fácil. 

Beijos.




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