17 de ago de 2010

Carta ao meu pai

Oi paizinho, que saudade de você meu querido! Hoje  me dei conta de que faria 70 anos...

Sabe, queria parecer com mãe que era forte, decidida, e sabia resolver as coisas da vida, até as mais chatas e difíceis... Mas quem disse? Sou exatamente como você... Simples, riso solto, mão aberta, como mãe costumava dizer.... Lembra?  "Ahhhh, a Nádia é igualzinha ao pai dela, se deixar, dá todo o dinheiro pras crianças" .... E quando eu tive minha primeira filha aos 18 anos e ficou "de mal" ? Não imagina o quanto sofri pq não falava diretamente comigo, mandava recados pela minha mãe.... Mas no meu primeiro problema mandou me chamar e falou: "Não precisa passar por nada disso, é uma criança, cuidando de outra criança.... " Não pensei duas vezes, nunca mais voltei pra onde eu brincava de casinha e de boneca com minha filha.....

Brincava com todos os netos, era doce.... Meu algodão doce... Sempre doentinho, mas eu nunca deixei ninguém cuidar de vc no hospital.... Engraçado que mãe vivia me preparando pra te perder... Falava, telefonava e sempre dizia: "Oh minha filha, tem que ficar preparada, pois se seu pai ficar internado novamente, talvez ele não resista. Tenho tanto medo de você não dar conta, não quero que sofras"... Eu??? Fingia que não ouvia nada daquilo. Imagina, me abandonar.... Nunca faria isto comigo...

De repente, em outubro de 2002, mãe teve aquele infarte fulminante... Fui pra casa de vocês. Aquele seu silêncio partia meu coração, era tão dependente dela... Não me deixou ir embora, fui ficando.... Como abandonar meu algodão doce? Dizia pras tias que eu era a sua alegria. Comecei a rezar todos os dias contigo... Cantava pra você, te abraçava apertadinho, você sentadinho, com a cabeça sobre a mesa, via seus olhos tristes, parecia que estava desistindo de viver. Saudade da sua mulher, companheira, amiga...

Resolveu arrumar uma mulher pra cuidar da casa. Eu morrendo de ciúmes...kkkkk Ficava te paquerando... Na primeira oportunidade, mandei embora....Ciumenta de doer....

De repente, chego da faculdade, você estava dormindo. Acordo de madrugada com o grito de Meire falando que vc estava morrendo. Me desesperei, ajoelhei e pedi a Deus pra não te levar, não sem se despedir de mim. Você volta, vai pro hospital e fica na UTI. Te visito e vc fala comigo, ainda com aqueles aparelhos todos. Olhinhos brilhantes, ria, tentava falar comigo. A esperança de te trazer de volta pra casa se acendeu no meu coração. No outro dia vc tá melhor, mas me diz: "Minha filha, o pai não vai voltar pra casa", sinto um calafrio e digo, claro que vai paizinho. Você me responde: "O pai tá aqui só pra ver você, o pai tá fraquiiinho"... Alguns dias depois a tia liga de madrugada falando que você tinha partido.. Nunca senti um frio tão grande, tremia, me tranquei no seu quarto, chorei sozinha, me despedi de ti.... Agradeci a Deus por ter me dado uma pessoa tão especial de presente... Adoeci depois. Me sentia desamparada... Com o tempo descobri que poderia falar com você, é o que tenho feito todos os dias. A dor foi se transformando numa doce saudade... Não mais triste. Amo falar do seu jeitinho fofo, do seu carinho, do amor. Até suas chatices eram engraçadas. Sempre será meu menino! Minha alegria. Meu grande amor! Sua companhia é a melhor de todas que eu poderia ter.

Te amo tão grande, mas tão grande que nem sei dizer, mas sei sentir e sentimentos não são mensuráveis, só sentidos!

Você era uma alma pura, sei que está num lugar especial, reservado aos especiais. Te amo querido. Sempre! Muitos beijos de algodão doce pra vc que é o meu mais doce presente de Deus!

Bjus

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