10 de jan de 2012

Existe alguma razão em viver? (Osho)


      O homem tem sido conduzido por todas as tradições de uma maneira esquizofrênica. Isso foi útil para dividir o homem em todas as dimensões possíveis, e criar um conflito entre essas divisões. Desta maneira o homem se torna fraco, inseguro, medroso, pronto para submeter-se, render-se; pronto para ser escravizado pelos sacerdotes, pelos políticos, por qualquer pessoa.
      Essa questão também surge a partir de uma mente esquizofrênica. Será um pouco difícil para você entender porque você pode nunca ter pensado que a divisão entre fins e meios é a estratégia básica da criação de divisões no homem.
      Viver tem algum significado, algum razão, algum valor? A questão é: Existe algum objetivo a ser alcançado na vida, vivendo? Existe um lugar aonde você chegará algum dia através da vida?
      Viver é um meio e a meta, a realização, e em algum lugar distante, é o fim. E esse fim irá torná-lo significativo. Se não existe fim, então certamente a vida é sem sentido; um Deus é necessário para fazer sua vida significativa. Primeiro cria-se a divisão entre fins e meios. Que divide sua mente. Sua mente está sempre perguntando: Por que? Para que? E qualquer coisa que não tenha resposta para a questão, "Para que?" lentamente, lentamente se torna sem valor para você. É por isso que o amor se tornou sem valor. Qual é a razão existente no amor? Para onde isso levará você? Qual será a realização disso? Você alcançará alguma utopia, algum paraíso? Claro, não há razão no amor dessa maneira. É sem razão. Qual é o razão da beleza? Você vê um pôr do sol você fica estonteado, é tão lindo, mas qualquer idiota consegue perguntar, "Qual é o significado disso?" e você ficará sem nenhuma resposta. Se não tem nenhum significado então porque desnecessariamente você está comentando sobre a beleza?
      Uma bela flor, ou uma bela pintura, ou uma bela música, uma bela poesia elas não tem nenhuma razão. Elas não estão argumentando para provar algo, nem são meios para chegar a qualquer fim. E viver consiste só em coisas que são sem razão. Deixe-me repetir isso: viver consiste só em coisas que são absolutamente sem razão, as quais não tem nenhum significado, significado no sentido de que não tem nenhuma finalidade, que não leva você a lugar algum, que você não obtém nada através disso.
      Em outras palavras, a vida é significativa em si mesma. Os meios e os fins estão juntos, não separados. E essa é a estratégia de todos os que tem cobiçado o poder, ao longo dos séculos: que meios são meios e fins são fins.
      Meios são úteis porque eles o levam para um fim. Se eles não o levam para um fim, eles são sem sentido. Dessa forma, eles destruíram tudo o que realmente é significativo. E eles impuseram coisas para você que são absolutamente insignificantes. Dinheiro tem uma razão. Uma carreira política tem uma razão. Ser religioso tem uma razão, por que esse é o meio para se chegar ao céu, a Deus. Negócios tem uma razão porque imediatamente você vê o resultado final. Negócio tornou-se importante, política tornou-se importante, religião tornou-se importante; poesia, música, dança, amor, simpatia, beleza, verdade, todas desapareceram da sua vida. Uma simples estratégia, que destruiu tudo aquilo que faz de você digno, que dá êxtase para o seu ser. Mas a mente esquizofrênica perguntará, "Qual é a razão do êxtase?"
      Pessoas tem me perguntado, centenas de pessoas, "Para que serve a meditação? O que eu ganharei com isso? Primeiro, é muito difícil alcançar e mesmo se conseguirmos alcançar, qual vai ser o resultado final?" É muito difícil explicar para essas pessoas que a meditação é um fim em si mesma. Não existe um final além disso. Qualquer coisa que tenha um final além dela mesma é só para a mente medíocre. E qualquer coisa na qual tenha um fim em si mesma é para as verdadeiras pessoas inteligentes.
      Mas você verá pessoas medíocres se tornando presidente de um país, primeiro ministro de um país; se tornando o homem mais rico do país, se tornando papa, se tornando um líder religioso. Mas essas são todas pessoas medíocres; sua única qualificação é a sua mediocridade. Eles são de terceira categoria e basicamente são esquizofrênicos. Eles dividiram suas vidas em duas partes: fins e meios.
      Minha abordagem é totalmente diferente: Fazer de vocês um único todo. Eu quero que vocês vivam apenas pela graça de viver. Os poetas tem definido a arte como para sua própria graça, não existe nada além disso:arte pela graça da arte. Não apelará pela mente medíocre absolutamente porque ele não conta as coisas em termos de dinheiro, posição, poder. Sua poesia fará de você o primeiro ministro de um país? Daí seria significativo. Mas na verdade sua poesia pode fazer de você apenas um mendigo, porque quem vai comprar sua poesia?
      Eu conheço muitos gênios que estão vivendo como mendigos pela simples razão de que eles não aceitaram viver mediocremente, e eles não se permitiram tornar esquizofrênicos. Eles estão vivendo de maneira clara, eles têm um júbilo que político nenhum irá jamais ter, eles tem uma certa radiância que bilionário nenhum irá conquistar. Eles tem um certo ritmo em seus corações no qual essas pessoas chamadas religiosas não tem idéia. Mas, até onde o exterior deles é julgado, eles tem sido reduzidos pela sociedade a viver como mendigos.
      Eu gostaria que vocês se lembrassem de um grande, talvez o maior, pintor holandês; Vicent van Gogh. Seu pai queria que ele se tornasse um ministro religioso, viver uma vida de respeito confortável, conveniente e não apenas nesse mundo, no outro mundo depois de morrer também.
      Mas Vicente van Gogh queria ser pintor.
      O pai dele disse, "Você está maluco!"
      Ele disse, "Pode ser. Para mim, você é o maluco. Eu não vejo nenhum significado em se tornar ministro porque tudo que eu iria dizer não seria nada além de mentiras. Eu não conheço Deus. Eu não sei nem se existe céu ou inferno. Eu não sei nem se existe vida após a morte ou não. Eu estaria continuamente contando mentiras. Claro, isso é respeitável, mas esse tipo de respeito não é para mim; Eu não estarei feliz com isso. Será um tortura para minha alma."
      Seu pai o expulsou de casa. Ele começou a pintar e ele é o primeiro pintor moderno. Você pode traçar uma linha em Vicente van Gogh; antes dele a pintura era ordinária. Até mesmo os maiores pintores, como Michelangelo, são de menor importância comparados com Vicente van Gogh, porque o que eles estavam pintando era ordinário. A pintura deles era mercadoria.
      Michelangelo pintou para igrejas sua vida toda; pintando muros e tetos de igrejas. Ele quebrou a coluna pintando o teto de uma igreja, porque para pintar um teto você tem que deitar num andaime alto enquanto você pinta. É uma posição muito desconfortável e por dias seguidos, meses seguidos... Mas ele estava ganhando dinheiro, e estava ganhando respeito. Ele estava pintando anjos, Cristo, Deus criando o mundo. A pintura mais famosa dele é Deus criando o mundo.
      Vicente van Gogh começou em uma dimensão totalmente nova. Ele não vendeu uma simples pintura em toda sua vida. Agora, quem dirá que as pinturas dele tinham alguma razão? Nem uma simples pessoa poderia ver que havia qualquer coisa em suas pinturas.
      Seu irmão mais jovem costumava mandar dinheiro para ele; suficiente para ele não morrer de fome, apenas o suficiente para sete dias, comida para toda semana porque se ele desse de uma vez o suficiente para um mês inteiro ele iria gastar dentro de dois ou três dias, e os outros dias eles passaria fome. Toda semana ele mandava dinheiro para ele. E o que Vicente van Gogh estava fazendo era, por quatro dias ele comia, e por três dias, entre os quatro dias, ele guardava dinheiro para suas tintas e telas.
      É algo totalmente diferente de Michelangelo, que ganhou dinheiro suficiente, que se tornou um homem rico. Ele vendeu todas as suas pinturas. Elas foram feitas para serem vendidas, era negócio. Claro, ele era um grande pintor, então mesmo pintando para serem vendidas eram lindas. Mas se ele tivesse tido a profundidade de um Vicente van Gogh, ele teria enriquecido o mundo todo.
      Três dias passando fome, e van Gogh comprava as tintas e telas. Seu irmão mais novo ouviu dizer que nenhuma de suas pinturas tinham sido vendidas, ele deu dinheiro a um homem, um amigo dele, não conhecido por Vicente van Gogh, e disse a ele para ir lá e comprar pelo menos uma das pintura: "Isso daria a ele alguma satisfação. O pobre homem está morrendo; ele pinta durante todo o dia, passa fome para poder pintar mas ninguém compra suas pinturas ninguém vê nada nelas." Porque para ver algo nas pinturas de Vicent van Gogh você precisa o olho de um pintor do calibre de van Gogh; menos que isso não é possível.
      As pinturas dele parecerão estranhas para você. As árvores dele são pintadas tão altas que vão além das estrelas; as estrelas são deixadas para trás. Agora, você achará esse homem maluco... árvores indo mais alto do que as estrelas? Você já viu essas árvores em algum lugar? Quando perguntaram a Vicent van Gogh, "Suas árvores sempre vão além das estrelas...? ele disse, "Sim porque eu entendo as árvores. Eu sempre senti que as árvores tem a ambição sobre a terra de alcançar as estrelas. Caso contrário, por quê? Tocar as estrelas, sentir as estrelas, ir além das estrelas - isso é o desejo da terra. A terra se esforça, mas não pode realizar seu desejo. Eu posso fazer isso. As árvores entenderão minhas pinturas, e eu não me importo com vocês, se vocês entendem ou não."
      Agora, esse tipo de pintura você não consegue vender. O homem que seu irmão mandou veio. Van Gogh estava muito feliz: pelo menos alguém tinha vindo comprar. Mas logo sua felicidade tornou-se frustração porque o homem olhou ao redor, pegou um pintura e deu o dinheiro.
      Vicent van Gogh disse, "Mas, você entendeu a pintura? Você pegou tão descuidado, você nem olhou; Eu tenho centenas de pinturas. Você nem mesmo preocupou-se em olhar a sua volta; você simplesmente pegou uma que estava acidentalmente a sua frente. Eu suspeito que você foi mandado pelo meu irmão. Coloque a pintura de volta, e pegue seu dinheiro de volta. Eu não venderei a pintura para um homem que não tem olhos para pintura. E diga ao meu irmão para nunca mais fazer tal coisa novamente."
      O homem ficou intrigado. Como é que ele conseguiu descobrir isso? Ele disse, "Você não me conhece, como você descobriu?"
      Ele disse, "É tão simples. Eu sei que meu irmão quer que eu me sinta valorizado. Ele deve ter manipulado você - e esse dinheiro pertence a ele porque eu posso ver que você é tão cego quanto ao valor das pinturas. E eu não sou do tipo que vende pinturas para pessoas cegas; Eu não posso explorar um homem cego e vender um pintura. O que ele fará com isso? E diga ao meu irmão que ele também não entende pinturas, de outra forma ele não mandaria você."
      Quando o irmão ficou sabendo, ele veio se desculpar. Ele disse, "Em vez de dar a você um pouco de consolo, eu o feri. Eu jamais farei tal coisa de novo."
      Em sua vida inteira, van Gogh só deu pinturas para amigos: para o hotel onde ele costumava comer quatro vezes por semana ele presenteou com uma pintura, ou para uma prostituta que lhe disse certa vez que ele não era um homem bonito. Para ser absolutamente sincero, ele era feio. Nenhuma mulher sequer se apaixonou por ele, era impossível. E essa prostituta por compaixão, e às vezes as prostitutas tem mais compaixão do que as suas chamadas senhoras, elas entendem mais sobre homens só por compaixão ela disse, "Eu gosto muito de você."
      Ele nunca havia escutado isso. Amor era uma coisa tão distante. Até mesmo um gostar... Ele disse, "Sério, você gosta de mim? O que você gosta em mim?" Agora, a mulher estava perdida. Ela disse, "Eu gosto das suas orelhas. Suas orelhas são lindas." E você ficará surpreso que van Gogh foi para casa, cortou a orelha com uma navalha, empacotou-a lindamente, foi até a prostituta e deu sua orelha à ela. E o sangue estava escorrendo...
      Ela disse, "O que você fez?"
      Ele disse, "Ninguém jamais gostou de qualquer coisa em mim. E eu sou um homem pobre, como eu posso agradecer você? Você gosta da minha orelha; Eu presenteei você com ela. Se você tivesse gostado dos meus olhos, eu teria lhe dado meus olhos. Se você tivesse gostado de mim, eu teria lhe dado minha vida."
      A prostituta não pode acreditar. Mas pela primeira vez, van Gogh estava feliz, sorrindo; alguém gostou pelo menos de uma parte dele. E a mulher só tinha feito uma brincadeira caso contrário, quem se importaria com suas orelhas? Se as pessoas gostam de algo, elas gostam dos seus olhos, seu nariz, seus lábios você não irá ouvir dois amantes dizendo que gostam das orelhas um do outro.
      Somente nas antigas escrituras Hindu sobre sexologia: o Kamasutra de Vatsyayana... Este é o único livro que eu fui capaz de encontrar que pode estar conectado com esse incidente cinco mil anos depois com Vicent van Gogh, porque só o Vatsyana diz, "Pouquíssimas pessoas sabem que os lóbulos das orelhas são tremendamente sexuais e sensitivos pontos no corpo. E os amantes deveriam brincar com os lóbulos dos ouvidos um do outro" e isso é um fato, embora desconhecido. Se você começar a brincar com os lóbulos das orelhas do seu amante, ela ou ele pode achar que você é um pouco louco - o que você está fazendo? Porque as pessoas se tornaram aficionadas em certas ideias: beijar tudo bem... Mas existem tribos onde ninguém jamais ouviu falar sobre beijo; ninguém jamais ouviu falar sobre beijo; eles esfregam os narizes, e isso é considerado o mais amável gesto. Certamente é mais higiênico, muito mais medicamente suportável do que o beijo francês. As pessoas que esfregam os narizes acham as pessoas que se beijam a moda francesa sujas, simplesmente sujo.
      Mas essa prostituta talvez fosse ciente... porque prostitutas se tornam consciente de muitas coisas que a mulher e o homem ordinário não se tornam, porque elas estão sempre em contato com tantas pessoas. Talvez ela soubesse que as orelhas tem um significado sexual. Elas certamente tem. Vatsayana é um dos maiores especialista. Freud e Havelock Ellis e outros sexólogos são só pigmeus ante Vatsayana. E quando ele diz algo, ele quer mesmo dizer.
      Van Gogh viveu sua vida inteira na pobreza. Ele morreu pintando. Antes de morrer ele enlouqueceu, porque por um ano continuamente ele ficou pintando o sol: centenas de pintura, mas nada chegou ao ponto que ele queria. Mas o dia todo em pé no lugar mais quente da França, em Arles, com o sol na cabeça - porque sem a experiência como você pode pintar? Ele pintou sua última pintura, mas ele enlouqueceu. O calor, a fome... mas ele era imensamente feliz; e mesmo na sua loucura ele pintou. E essas pinturas que ele fez no hospício agora valem milhões.
      Ele se suicidou pela simples razão de que ele já tinha pintado tudo que ele queria pintar. Agora a pintura já estava acabada; ele havia chegado ao final. Não havia nada mais a se fazer. Agora continuar vivendo era só ocupar espaço, o lugar de alguém; isso era feio para ele. Por isso ele escreveu uma carta para seu irmão: "Meu trabalho está terminado. Eu vivi intensamente da maneira que eu escolhi viver. Eu pintei o que eu quis pintar. Minha última pintura eu terminei hoje, e agora eu estou pulando dessa vida para dentro do desconhecido, o que quer que isso seja, porque essa vida não mais contém qualquer coisa para mim."
      Você considerará esse homem um gênio? Você considerará esse homem inteligente, sábio? Não, ordinariamente você pensará que ele é simplesmente maluco. Mas eu não diria isso. Sua vida e suas pinturas não eram duas coisas: pintar era sua vida, essa era a vida dele. Então, para o mundo todo isso parece suicídio - não para mim. Para mim isso simplesmente parece um fim natural. A pintura está completa. A vida está cumprida. Não havia outro objetivo; se ele recebe o Prêmio Nobel, se qualquer pessoa aprecia suas pinturas... Na sua vida ninguém apreciou seu trabalho. Na sua vida nenhuma galeria de arte aceitou suas pinturas, mesmo de graça.
      Depois dele morrer, lentamente, lentamente, por causa do sacrifício dele, pintar mudou todo o sabor. Não teria havido Picasso sem Vicent van Gogh. Todos os pintores que vieram depois de Vicent van Gogh são gratos a ele, incalculavelmente, porque esse homem mudou toda a direção.
      Lentamente, lentamente, com a mudança da direção, suas pinturas foram descobertas. Uma grande procura foi feita. As pessoas jogaram suas pinturas em suas casas vazias, ou em seus porões, achando que elas eram inúteis. Eles correram para seus porões, descobrindo as pinturas dele, limpando-as. Até mesmo pinturas falsificadas chegaram ao mercado como autênticas de van Gogh. Agora há somente duzentas pinturas; ele deve ter pintado milhares. Mas qualquer galeria de arte que tem um Vicent van Gogh se sente orgulhosa, porque ele derramou toda sua vida em suas pinturas. Elas não foram pintadas por cores, mas por sangue, por coração; seu coração bate nelas.
      Não pergunte a esse tipo de homem, "Existe alguma razão em pintar?"
      Ela está lá nas suas pinturas, e você está perguntando, "Existe alguma razão em pintar?" Se você não pode ver o significado, você é responsável por isso. Quanto mais alto uma coisa se eleva, menos pessoas irão reconhecê-la. Quando algo atinge o ponto mais alto, é muito difícil encontrar até mesmo poucas pessoas que reconheçam. No ponto Omega final, só a própria pessoa sabe o que aconteceu com ele; ele não consegue encontrar nem mesmo um segundo homem.
      Por isso que um Buddha tem que declarar-se por si mesmo que ele é iluminado. Ninguém mais pode reconhecer isso. porque para reconhecer, você terá que provar isso. Caso contrário, como você reconhece? Nenhum reconhecimento é possível porque o ponto é tão alto. Mas, o que significa um estado búdico? O que significa se tornar iluminado? Qual é a razão? Se você pergunta sobre a razão, não há nenhuma. Ela em si mesma é suficiente. Não precisa nada mais para tornar-se significante.
      É isso que eu quero dizer quando eu digo que as coisas realmente importantes na vida não são divididas em fins e meios. Não existe divisão entre fins e meios. Fins são os meios, meios são os fins, talvez dois lados da mesma moeda inseparavelmente juntas; na verdade elas são uma unidade, uma totalidade.
      Você me pergunta, "Existe alguma razão na viva, em viver?"
      Eu estou com medo de dizer que não existe nenhuma razão na vida, você pensará que isso significa que você deve cometer suicídio, porque se não há razão em viver, então o que mais fazer? - cometa suicídio!
      Eu não estou dizendo suicide-se, porque cometer suicídio também não há razão.
      Vivendo: viva, e viva totalmente. Morrendo: morra, e morra totalmente. E nessa totalidade você encontrará significado. Eu estou consideravelmente não usando a palavra "sentido", e usando a palavra significado porque "sentido" é contaminada. A palavra sentido sempre quer dizer algo mais.
      Você deve ter escutado, você deve ter lido em sua infância, muitas estórias... Por que eles escrevem para crianças? Talvez os escritores não saibam, mas isso é parte do mesmo tipo de exploração da humanidade. As estórias são assim: há um homem cuja vida depende de um papagaio. Se você matar o papagaio, o homem morrerá, mas você não pode matar o homem diretamente. Você pode atirar, e nada acontecerá. Você pode atacá-lo com sua espada e a espada passará pelo seu pescoço, mas o pescoço permanecerá ainda junto ao corpo, intacto. Você não pode matar o homem, primeiro você tem que descobrir onde sua vida está. Então nessas estórias a vida sempre está em outro lugar. E quando você descobre você só mata o papagaio e onde quer que o homem esteja, ele morrerá imediatamente.
      Até mesmo quando eu era criança, eu costumava perguntar para meu professor "Esse tipo de estória é muito estúpida porque eu não vejo ninguém cuja vida depende de um papagaio ou um cachorro ou qualquer outra coisa, como uma árvore." Era a primeira vez que eu escutava essa estória, esse tipo de estória; então eu me deparei com muitas outras. Eles escreviam especialmente para crianças. O homem que estava me ensinando era muito bacana e um senhor respeitável.
      Eu perguntei para ele, "Você pode me contar onde está sua vida? Porque eu gostaria de tentar..." Ele disse,"O que você quer dizer?" Eu disse, "Eu gostaria de matar o pássaro do qual sua vida depende." Você é uma homem inteligente, sábio, respeitável. Você deve ter colocado sua vida em algum outro lugar assim ninguém pode matá-lo. É este o significado dessa estória - que as pessoas sábias mantém suas vidas em outro lugar, assim você não consegue matá-los, assim ninguém consegue matá-los. E é impossível descobrir onde eles guardaram suas vidas a menos que eles contem o segredo, ninguém pode descobrir. E esse mundo é tão grande, e há tantas pessoas e tantos animais, e tantos pássaros, e tantos homens árvore... ninguém sabe onde aquele homem colocou sua vida.
      "Você é um homem sábio, respeitável você deve ter mantido em algum lugar; você pode contar só para mim. Eu não matarei o pássaro completamente; só darei a ele alguns puxões e beliscões, e ver o que acontece com você."
      Ele disse, "Você é um garoto estranho. Eu tenho ensinado essa estória a minha vida inteira, e você quer me dar puxões e beliscões. Isso é só uma estória." Mas eu disse, "Qual é o significado da estória? Por que você continua ensinando essa estória e esse tipo de coisa para as crianças?" Ele não pode responder.
      Eu perguntei para meu pai, "Qual será o significado dessa estória? Por que essas coisas devem ser ensinadas, que são absolutamente absurdas?" Ele disse, "Se seu professor não é capaz de responder, como posso eu responder? Eu não sei. Ele é muito mais educado, inteligente e sábio do que eu. Vá perturbá-lo, ao invés de perturbar a mim."
      Mas agora eu sei qual é o significado daquela estória e porque elas continuam sendo ensinadas para as crianças. Elas entram nos seus inconscientes e elas começam a pensar que a vida está sempre em outro lugar no céu, em Deus, sempre em outro lugar - não está em você. Você é vazio, apenas uma concha vazia. Você não tem sentido na sua vida aqui e agora. Aqui você é só um meio, uma escada. Se você subir a escada, talvez algum dia você encontrará sua vida, seu Deus, seu objetivo, seu significado, qualquer que seja o nome que você dê a isso. Mas eu lhe digo que você é o sentido o significado, e a própria vida está intrinsecamente completa.
      A vida não precisa de nada a ser adicionado. Tudo que essa vida precisa é que você viva-a totalmente. Se você só vive parcialmente, então você não sentirá a emoção de estar vivo. É como qualquer mecanismo quando apenas uma parte está funcionando...
      Por exemplo, em um relógio: se só o ponteiro dos segundos funcionar, mas nem o ponteiro das horas e dos minutos se moverem, só o ponteiro dos segundos continuar se movendo de que servirá? Haverá movimento, uma parte estará funcionando, mas a menos que todas as partes funcionem e trabalhem em harmonia, ele não poderá funcionar.
      E essa é a situação: todo mundo está vivendo parcialmente, uma pequena parte. Então, você faz barulho, mas você não consegue criar som algum. Você mexe suas mãos e pernas, mas nenhuma dança acontece. A dança, a música, o significado entra em harmonia com todas as funções da existência imediatamente, em acordo. Daí você não perguntará tal questão como: Existe alguma razão em viver? você saberá.
      A vida em si mesma é a razão. Não existe outra razão. Mas não foi permitido a você ser um com o todo. Você foi dividido, cortado em várias partes. Algumas partes foram completamente fechadas tão fechadas que você nem sabe que pertencem a você. Muito de você foi jogado no porão. Muito de você foi tão condenado que embora você saiba que exista, você não ousa aceitar que isso faz parte de você; você continua negando; você continua reprimindo. Você conhece apenas um fragmento muito pequeno de você, o que eles chamam de consciente, o qual é um produto da sociedade, não um coisa natural, o qual a sociedade cria dentro de você para controlá-lo internamente.
      A policia está do lado de fora, os tribunais estão do lado de fora controlando você. E o consciente está do lado de dentro, que é de longe o mais poderoso. É por isso que até mesmo nos tribunais, primeiro eles lhe dão a bíblia. Você faz um juramento sobre a bíblia porque o tribunal também sabe que se você é um cristão, colocando sua mão sobre a bíblia e dizendo, "Eu juro dizer somente a verdade, toda a verdade, nada mais que a verdade," seu consciente forçará você a falar a verdade, porque agora você jurou em nome de Deus, e tocou a bíblia. Se você falar uma mentira você será jogado no inferno. Antes, no máximo, se você fosse pego você seria jogado dentro da prisão por alguns meses, alguns anos. Mas agora você será jogado para dentro do inferno pela eternidade. Até mesmo o tribunal aceita que a bíblia é mais poderosa, que o Gita é mais poderoso, que o Koran é mais poderoso do que o tribunal, do que os militares, do que o exército.
      O consciente é uma das piores invenções da humanidade. E desde o primeiro dia em que a criança nasce nós começamos a criar um consciente nela; uma pequena parte que continua condenando qualquer coisa que a sociedade não quer em você, e continua apreciando qualquer coisa que a sociedade quer em você. Você não é mais um todo. Você não é mais um todo. O consciente passa continuamente a forçá-lo, de modo que você tem que sempre olhar para fora, Deus está assistindo. Todos os atos, todos os pensamentos, Deus está assistindo, tenha cuidado! Mesmo em pensamento não é permitido liberdade: Deus está assistindo. Que tipo de Fulano espiador é esse Deus? Em todos os banheiros 'Ele' está olhando através do buraco da fechadura; Ele não lhe deixa sossegado - até mesmo no seu banheiro?
      Existem tribos no mundo onde mesmo em seus sonhos se você faz algo errado, de manhã você tem que ir até a pessoa... Por exemplo, você insultou alguém no seu sonho de manhã você tem que ir até a pessoa e pedir perdão; "Perdoe-me, noite passada eu o insultei em meu sonho; Eu sinto muito." Até os sonhos são controlados pela sociedade. Você não é permitido até mesmo em sonho ser você mesmo.
      Eles continuam falando sobre livre iniciativa. Isso é tudo tolice porque desde o começo eles colocam as bases em todas as crianças para a não livre iniciativa. Eles querem controlar seus pensamentos. Eles querem controlar seus sonhos. Eles querem controlar tudo em você. É através de um dispositivo muito inteligente, o consciente. Isso o atormenta. Continua lhe dizendo, "Isso não é certo, não faça isso; você sofrerá." Continua forçando você: "Faça isso, é a coisa certa a se fazer; você será recompensado por isso."
      Esse consciente nunca permitirá você ser um todo, não permitirá você viver como se não existisse nada proibido, como se não existisse limites, como se você fosse deixado totalmente independente para ser o que quer que você possa ser. Aí sim a vida tem um significado, aí viver tem um significado, não no sentido de que isso o conduziu para fins, mas no sentido de que o conduziu para a vida em si mesma. Então, o que quer que você faça, nesse fazer está a sua recompensa.
      Por exemplo, eu estou aqui falando para vocês. Eu gosto disso. Por trinta e cinco anos eu tenho estado continuamente falando sem nenhum propósito. Com todo esse falatório eu poderia ter me tornado um presidente, um primeiro ministro; não teria problema algum. Com tanto falatório eu poderia ter feito qualquer coisa. O que eu ganhei? Mas eu não estou aqui para ganhar nada, em primeiro lugar. Eu gosto. Essa é minha pintura, essa era minha música, essa era minha poesia.
      Só nesses momentos quando eu estou falando e eu sinto a comunhão acontecendo, nesses momentos quando eu vejo os seus olhos flamejando, quando eu vejo que vocês alcançaram o ponto... isso me dá uma tremenda alegria que eu não consigo pensar em nada que possa ser adicionada a isso. Ação, qualquer ação feita totalmente, com cada fibra do seu ser...
      Por exemplo, se você amarrar minhas mãos eu não consigo falar, embora não exista nenhuma relação entre mãos e fala. Eu já tentei.
      Um dia, eu disse a um amigo que estava comigo, "Amarre as minhas mãos.."
      Ele disse, "O que?" Eu disse, "Apenas amarre-as, e então faça uma pergunta."
      Ele disse, "Eu sempre tive medo de você, você é louco. E agora se alguém ver que eu amarrei suas mãos.... e agora eu estou fazendo uma pergunta e você está respondendo, o que eles irão pensar?"
      Eu disse, "Esqueça tudo isso. Feche a porta e faça o que eu digo." Ele fez, porque ele tinha que fazer caso contrário eu teria mandado ele embora. Eu disse, "Sendo meu convidado, você não pode fazer essa simples coisa para mim? Então não me atrapalhe, caia fora."
      Então ele amarrou minhas mãos em dois pilares, e ele fez uma pergunta. Eu tentei de todas as maneiras possíveis, mas minhas mãos estavam atadas; Eu não consegui dizer qualquer coisa para ele. Eu simplesmente disse, "Por favor desamarre minhas mãos."
      Ele disse, "Eu não consigo entender o porque de tudo isso." Eu disse, "É simples, eu estava tentando ver se eu poderia falar sem as minhas mãos. Eu não consigo."
      O que dizer sobre as mãos... se eu colocar essa perna para o outro lado, e a outra perna sobre essa que é o jeito que eu sento no meu quarto quanto eu não estou falando... Se eu colocar sobre a outra perna, daí algo vai mal, eu não me sinto em casa. Então , o jeito que eu me sento, o jeito como eu movo minhas mãos, é um envolvimento total. Não é apenas falar com uma parte de mim; tudo em mim está envolvido nisso.
      E só então você pode encontrar a valor intrínseco de cada ato. Caso contrário você tem que viver uma vida de tensão, estendida entre aqui e ali, esse e aquele objetivo distante.
      Os pseudo religiosos dizem, "Claro, essa vida é só um meio você não pode se envolver totalmente; é só uma prova pela qual você tem que passar. Não é algo valioso, é só um degrau. O real está lá, bem distante." E assim sempre permanece distante. Onde quer que você esteja, o que é real está sempre distante. Então onde quer que você esteja, você estará perdendo a vida.
      Eu não tenho um objetivo. Quando eu estava na universidade eu costumava ir para uma caminhada de manhã, à noite, a qualquer hora... De manhã e de noite absolutamente, mas se tivesse outro tempo disponível, eu iria também para uma caminhada, porque o lugar, as árvores, as ruas eram tão lindas, e cobertas com árvores tão grandes de ambos os lados que até mesmo no alto verão havia sombras nas ruas.
      Um dos meus professores que gostava muito de mim costumava me assistir: que alguns dias eu ia por uma rua, e outros dias eu ia por outra rua. Havia um pentágono em frente ao portão da universidade, cinco ruas indo para cinco direções, e ele vivia muito perto de lá; na última instalação perto do portão. Ele me perguntou, "As vezes você vai por essa rua, as vezes por aquela rua. Para onde você vai?" Eu disse, "Eu não vou a lugar algum. eu simplesmente vou caminhar."
      Se você está indo para algum lugar então certamente você continuará indo pela mesma rua; mas eu não estava indo a lugar algum, isso era só parte da minha excentricidade. Eu ia para o pentágono e eu costumava ficar lá de pé parado por alguns instantes. Isso o deixava mais intrigado: como eu decidia? o que eu fazia ficando lá de pé? Eu costumava decidir dependendo para onde o vento estivesse soprando. Para onde quer que o vento estivesse soprando era para lá que eu iria; esse era o meu destino. "Então às vezes," ele dizia, "Você vai pela mesma rua por uma semana continuamente; às vezes você vai só um dia, e no dia seguinte você muda. O que você faz lá? E como você decide?" E eu disse a ele, "É muito simples. Eu fico lá de pé e eu sinto' qual rua me chama, para onde o vento está soprando. Eu vou com o vento. E é lindo ir com o vento. Trotando, correndo, o que quer que eu queira fazer. E o vento está lá, fresco, disponível. Então, é assim que eu decido."
      A vida não é ir para algum lugar. É apenas um 'ir para uma caminhada matinal'. Escolha para onde quer que todo seu ser esteja fluindo, para onde o vento esteja soprando. Vá por esse caminho o mais longe que ele puder lhe levar, e nunca espere encontrar qualquer coisa. Por isso que eu nunca fui surpreendido, porque eu nunca estive esperando nada. Então a questão não é o que me surpreende: tudo é uma surpresa. E não existe desapontamento: tudo é contentamento. Se for assim, bom; se não for assim, melhor ainda.
      Uma vez entendido que viver momento a momento é tudo o que significa religião, então você entenderá o porque de eu dizer em abandonar essa idéia de Deus, céu e inferno, e toda essa baboseira. Só precisa abandonar isso completamente por causa disso, estando carregado com tantos conceitos você está sendo impedido de viver momento a momento. Viva a vida em uma unidade orgânica. Nenhum ato deveria ser parcial, você deveria estar inteiramente envolvido nisso.
      Uma estória Zen.
      Um rei muito curioso, querendo saber sobre o que essas pessoas fazem em um mosteiro, perguntou, "Quem era o Mestre mais famoso?"
      Descobrindo que o Mestre mais famoso daqueles tempos era Nan-in, ele foi ao mosteiro dele. Quando ele entrou no mosteiro ele encontrou um lenhador. Ele o perguntou, "O mosteiro é grande, onde eu encontro Mestre Nan-in?"
      O homem fechou os olhos e pensou por alguns instantes, e ele disse, "Agora você não conseguirá encontrá-lo."
      O rei disse, "Por que eu não conseguirei encontrá-lo agora? Você sabe que eu sou o imperador?"
      Ele disse, "Isso é irrelevante. Quem quer que você seja, isso é problema seu, mas eu lhe garanto que você não conseguirá encontrá-lo agora."
      "Ele saiu?" perguntou o rei.
      "Não, ele está ai," respondeu o lenhador.
      O rei disse, "Mas ele está trabalhando, está em alguma cerimônia, ou em isolamento? Qual é o problema?
      O homem disse, "Ele está agora cortando lenha na sua frente. E quando eu estou cortando lenha, eu sou só um lenhador. Agora, onde está Mestre Nan-in? Eu sou só um lenhador. Você terá que esperar."
      O imperador pensou, "Esse homem é maluco, simplesmente maluco. Mestre Nan-in cortando lenha?
      Ele foi em frente, e deixou o lenhador para trás. Nan-in continuou cortando madeira. O inverno estava chegando,e precisava-se estocar lenha. O imperador poderia esperar, mas o inverno não esperaria. O imperador esperou por uma hora, duas horas - e então pela porta dos fundos veio Mestre Nan-in, em seu traje de Mestre. O rei olhou para ele. E ele se parecia com o lenhador, mas o rei curvou-se.
      O Mestre sentou-se, e perguntou, "Por que você dificultou tanto a sua vinda até aqui?"
      O rei disse, "Tem muitas coisas, mas deixarei as perguntas para depois. Primeiro eu quero saber: você é o mesmo homem que estava cortando lenha?"
      Ele disse, "Agora eu sou Mestre Nan-in. Eu não sou o mesmo homem; tudo se transformou. Agora eu estou aqui sentado como Mestre Nan-in. E você pergunte como um discípulo, com humildade, receptividade. Sim, um homem muito, muito parecido comigo estava cortando lenha, mas aquele era o lenhador. O nome dele também é Nan-in."
      O rei ficou tão intrigado que foi embora sem perguntar o que ele tinha vindo perguntar. Quando ele voltou para a corte, seus assessores perguntaram o que tinha acontecido.
      Ele disse, "O que aconteceu é melhor ser esquecido. Esse Mestre Nan-in parece ser absolutamente insano! Ele estava cortando lenha e disse, ‘Eu sou o lenhador e Mestre Nan-in não está disponível no momento.’ Então o mesmo homem veio em trajes de Mestre e eu o perguntei, e ele disse, ‘Um homem parecido estava cortando lenha, mas ele era o lenhador; Eu sou o Mestre.”
      Um dos homens da corte disse, "Você perdeu o ponto do que ele estava tentando lhe dizer - que quando ele corta lenha ele está totalmente envolvido nisso. Nada é deixado que possa ser parte de Mestre Nan-in; nada é deixado, ele é apenas um lenhador." E na linguagem Zen, que é difícil de se traduzir, ele não dizia exatamente que "Eu sou um lenhador", ele dizia, "Agora a lenha esta sendo cortada não um lenhador porque não há nem mesmo espaço para o lenhador." É simplesmente lenha sendo cortada, e ele está tão envolvido nisso, que é só lenha sendo cortada: o corte da lenha está acontecendo. E quando ele vem como Mestre, claro, é em uma qualidade diferente. As mesmas partes estão agora num diferente acordo.
      Assim, em cada ação você é uma pessoa diferente, se você envolve-se totalmente nisso. Buddha costumava dizer, "É como a chama de uma vela que parece ser a mesma, mas nunca é a mesma nem sequer por dois momentos consecutivos. A chama está continuamente se tornando fumaça, e nova chama está surgindo. A velha chama está indo, a nova chama está chegando. A vela que você acendeu a noite não é a mesma vela que você assoprará pela manhã. Esta não é a mesma chama que havia começado; aquela já se foi, ninguém sabe para onde. É apenas a semelhança da chama que lhe deu a ilusão de que esta é a mesma chama."
      O mesmo acontece com o seu ser. É uma chama. É um fogo. A cada momento o seu ser está mudando, e se você se envolver totalmente em qualquer ação você verá como a mudança acontece em você - cada momento um novo ser, e um novo mundo, e uma nova experiência. Tudo de repente se torna tão cheio de novidade que você nunca vê a mesma coisa duas vezes.
      Então, naturalmente, a vida se torna um mistério contínuo, uma surpresa contínua. Em cada passo um novo mundo se abre, de tremendo significado, de um êxtase incrível. E quando a morte chega, a morte também não é vista com algo separado da vida. É parte da vida, não um fim da vida. É exatamente como os outros acontecimentos: o amor aconteceu, o nascimento aconteceu. Você era uma criança, e então sua infância desapareceu; você se tornou jovem, e então sua juventude desapareceu; você se tornou velho, e então a velhice desapareceu - quantas coisa já aconteceram! Por que você não permite que a morte também aconteça assim como os outros incidentes? E, na verdade, a pessoa que viveu a vida momento a momento, vive a morte também, e descobre que todos os momentos da vida podem ser postos de um lado e que o momento da morte pode ser posto do outro lado, e ainda assim pesa mais. Em todos os sentidos pesa mais porque é a vida toda condensada; e algo a mais é adicionado à ela, o qual nunca foi disponível a você. Uma nova porta se abre, com toda a vida condensada: uma nova dimensão se abre.
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       OSHO - From Ignorance to Innocence - Capítulo n° 23  - pergunta n° 1        Tradução: Issa Maluf
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