14 de mar de 2010

QUERO CADA DIA MAIS....

Quero acordar pela manhã e olhar pra dentro de mim e dizer: Os problemas existem mas você é forte para resolvê-los ou pelo menos administrá-los bem... 
Vou cuidar do corpo, alma e coração.... Se estou tão feliz preciso me presentear: reler livros que gostei, ouvir minhas músicas e meus cds de meditação, escrever cartas de amor pras pessoas que amo, reler agendas antigas, fazer recortes... Enfim fazer o que me dá prazer...
Quero voltar a trabalhar fora urgente, ver e conhecer pessoas,  gostei da experiência de ser "mulher dólar" mas já entediei, aliás, preciso trabalhar esta minha tendência de entediar com coisas e pessoas... 
Hoje, domingo, 14/03/2010 fiz um compromisso comigo mesma de abandonar alguns vícios... dormir muito tarde, por exemplo... E fazer esteira religiosamente... todos os dias.... e... exercitar minha tolerância, paciência, "preguicite" pra fazer coisas monótonas e etc e tal... Nem dá pra listar...rssss Não posso me esquecer do protetor solar... e aprender a usar chapéu... Adoro o sol mas ele bem que poderia ter o frescor do luar... Calma Deus, Você fez tudo perfeito, mas nós, idiotas, é que estragamos tudo...
Quero também restabelecer minha fé, sem ela é quase impossível ser feliz... Me falta algo... Quero voltar a visitar meus doentes na Santa Casa... É incrível como aquele lugar simples me faz bem. Coloco 1 dos pés dentro da capelinha e sinto uma grande emoção... Parei quase tudo por causa do calor e do sol....
Reaprender a escrever... Que falta me faz isso.... Era um exercício de auto-conhecimento.... Ihhh preciso aprender português, as novas regras... hífen é uma dúvida que ainda tenho.  (mais 1 na lista dos meus quereres). Bom, quero muitas coisas, mas agora que meu coração está com as portas escancaradas e livre de qualquer mágoa, quero sim, encontrar alguém especial... Não estou falando em casamento, por favor, mas estou pronta pra me apaixonar de novo, dar e receber cafunezinho... Vou fazer um edital.... kkkkk Não sou exigente não... Me aceitando como sou - pq não entendo uma pessoa dizer que te gosta e fica o tempo todo querendo que vc mude - e que quando estiver ao meu lado, por favor, olhe pra mim e não fique procurando o que não perdeu... Ahhh tem que ser fofo, e que me desperte todos os desejos... e que me faça rir também... Também não pode ser "gente grande demais", que trabalhe tanto e que não tenha tempo de ficar comigo... Tô querendo demais???? Se estiver, então vou ficar sozinha mesmo.
Ahhh como estar apaixonada faz falta... Nem tinha percebido quanto tempo tinha passado... A gente acaba sublimando tantas coisinhas básicas e imprescindíveis em nossas vidas. Que bobagem... É que nos acostumamos até com o desamor.... Por isto vou postar um texto da Marina Colassanti... Tô tão feliz que fico até sem ar.. e o coração parece uma escola de samba... Vai lá entender o sentir... Por isso que quero a partir de agora só sentir "bons sentimentos"... Beijos a todos e aos amigos reais e virtuais.... E a criancice cada dia mais aflorada... rsss

A GENTE SE ACOSTUMA (Marina Colassanti)
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.







A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão. A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto. 
A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. 
A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. 
A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto. 
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.



Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.
A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.  

1 comentários: